Do mestre

Eu estava no aeroporto de Cuiabá, esperando o voo para Congonhas quando cruzei na fila de espera com a inequívoca figura de José Luiz Tejon Megido.
Eu tinha acabado de ter a conversa que selaria minha vinda para a Estratégia PCI. Era agosto de 2016.
Tejon me disse que tinha feito um tour, falando a algumas cooperativas no estado.
Contei a ele que haviam me convidado a vir para o Mato Grosso. Ele me disse com a maior naturalidade “porque não? É aqui o Brasil novo que está nascendo!”.
Pode ter sido o empurrão que me faltava.
Tejon foi um dos grandes mestres que nunca me deram aula, mas sempre me ensinaram. Sua história de vida é extraordinária, assim como sua mente brilhante, sua visão de país, do agro e da capacidade humana.
Seu empurrão me lembrou a história que contou (ouvi pela primeira vez quando participei do Agrotalento do meu amigo Miguel Cavalcanti) quando seu pai português o ensinou a nadar no mar. O menino Tejon, de pé numa pedra hesitava em pular nas ondas. E o pai dizia: “se ficas aí a onda te leva, tens que te atirar”. E assim é a vida, carece de coragem que faça nos atirar nela ao invés de sermos levados…
Tejon esteve em Cuiabá há uma semana, em um Painel sobre Comunicação organizado durante a Intercorte, o maior evento da pecuária no país. Estava junto com o Miguel, com Mauro Zafalon e com o Ricardo Arioli, produtor e grande comunicador do agro mato-grossense.
Em sua fala, José Luiz Tejon deu uma bronca na classe rural… Dizia ele: “vocês precisam parar de falar que são os maiores do mundo, que vão alimentar o mundo…isso dá medo nos outros… Os outros países todos vão querer que você se dê mal…”.
A mensagem é outra, segundo ele. Temos que falar do que conseguimos, produzir alimento em uma terra tropical, de solos pobres. Essa é a grande mensagem. E que a nossa experiência pode ajudar o mundo, a África, a Ásia. Vamos vender muito também, mas isso não precisa fazer propaganda, vai acontecer de qualquer jeito….
Outra grande mensagem é o cooperativismo. O Brasil é um país de cooperativas. Ninguém fala mal de cooperativas, todo mundo adora cooperativas, é bom para o grande, para o pequeno, é bom para os trabalhadores, para os consumidores e somos é um país de médios produtores. Precisamos divulgar, apoiar, falar do cooperativismo.
Tejon criou o conceito de agrossociedade, de todo um ecossistema econômico e social que gira em torno da agricultura e da pecuária hoje no país.
Falando dos tempos atuais, segundo ele é apenas uma parcela pequena da sociedade que provoca mudanças. Da mesma forma que um produtor para se manter competitivo tem que se mover sempre para estar dentro dessa pequena parcela, na sociedade é a mesma coisa.
É preciso sim ter lideranças, lideranças que provoquem as mudanças que desejamos, mas lideranças não combinam com ego. E o agro viu muitas vezes boas ideias se perderem em disputas por egos. E segundo ele, os governos não são mais os agentes da mudança. Esta só virá da sociedade civil organizada. O governo vem a reboque.
Vida longa, mestre.
intercorte

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