Agroambientalismo

Conheci o Caio Penido Vecchio há algum tempo. Grande pecuarista, de família pioneira, Caio tem um diferencial algo raro no meio. É um comunicador, e um cineasta de talento. Tornou-se uma liderança em sua região, criando a Liga do Araguaia e movimenta os pecuaristas em torno da produção sustentável.
Me lembro ainda na Rio+20 de dar uma entrevista para um documentário que ele pretendia fazer sobre a encruzilhada entre produzir e conservar. Não sei se o documentário saiu mas Encruzilhada acabou virando o nome de sua produtora.
Desde então ele tentava entender o porque do agronegócio ser tão mal falado quando ele sentia na pele como empresário os custos e dificuldades de ser compulsoriamente responsável pela preservação em sua propriedade.
Ele se diverte hoje divulgando vídeos capturados em um armadilha fotográfica que mostram a extraordinária biodiversidade em sua fazenda. São onças, queixadas, lobos guarás, macacos e dezenas de outros bichos que diariamente dão o ar da graça para sua câmera.
A propósito do enfrentamento ideológico que tomou conta da discussão sobre o desmatamento do Cerrado, Caio propôs algo novo ao movimento ambientalista.
Em um artigo intitulado “Um novo desafio para os ambientalistas” (http://plantproject.com.br/novo/2018/03/um-novo-desafio-para-os-ambientalistas/), ele convida os ambientalistas a reconhecerem o papel do setor produtivo na preservação e a trabalharem juntos em agendas consensuais e que unifiquem o país em torno de seu potencial produtivo e ambiental.
Nessa agenda comum, entre outras coisas Caio sugere aos ambientalistas:
– apoiar a implementação do Código Florestal
– combater o desmatamento ilegal e trabalhar pelo desmatamento zero nas terras públicas
– apoiar mecanismos de valorização de ativos ambientais
– trabalhar pela comunicação positiva com a sociedade
Acho extraordinário que esse movimento pelo “agroambientalismo” surja de um pecuarista. Mais do que propor uma agenda às ONGs, é fundamental que produtores assumam também como sua uma agenda que até pouco tempo parecia um estorvo.
Eu acredito que nenhuma organização não governamental seja frontalmente contrária à agenda sugerida pelo Caio, e várias já trabalham neste sentido.
Mas ONG’s são sobretudo organizações que existem sim para mostrar problemas que afetam a sociedade e que muitas vezes não são percebidos por diferentes setores econômicos ou pelo governo.
Ainda que o país de fato seja uma potência ambiental e produtiva existem inúmeras mazelas a serem corrigidas, como conflitos fundiários, desmatamento ilegal, desigualdade, poluição, pobreza.
Obviamente que muitos desses problemas não podem ser atribuídos a produtores rurais, e têm raízes muito mais complexas do que o conhecimento superficial da sociedade em geral.
Acredito sobretudo ser necessário separar o joio: a grilagem,o crime ambiental etc, do trigo: a produção responsável. E trabalhar juntos em uma agenda que acabe com o joio, e promova o trigo, com ganhos para todos.
É possível, é necessário, é o que a PCI faz.
caio liga

Um comentário em “Agroambientalismo

  1. Caio querido tenho orgulho de vc! Pessoas como vc fazem a diferença! Te vi nascer e hoje este homem com idéias tão maravilhosas! Deus te abençoe!

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