Etanol de Milho

No ano passado foi inaugurada a primeira usina de etanol de milho do Brasil, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. Apesar do país ser um grande produtor de biocombustíveis, é a primeira vez que se faz a experiência de se produzi-lo em território nacional a partir de milho e não de cana de açúcar.
A FS Bioenergia é o resultado de uma joint venture entre a brasileira Fiagril e a americana Summit Agricultural Group. O grupo acaba de anunciar que pretende dobrar a capacidade da usina em Lucas e fazer novos investimentos.
Estive com a turma da Secretaria de Desenvolvimento Econômico na FS em Lucas do Rio Verde. A usina de fato é um empreendimento extraordinário, e há um genuíno entusiasmo da empresa com as oportunidades que Mato Grosso oferece para o etanol de milho, tanto que outros grupos também anunciam investimentos e projetam usinas nas principais regiões produtoras de milho do estado. Uma nova entidade, a União Nacional do Etanol de Milho está sendo formada para defender os interesses do setor. Há uma nova revolução em curso no setor produtivo do Mato Grosso.
Como isso se encaixa na Estratégia PCI?
Muito se debate sobre a competição dos biocombustíveis por alimentos no uso da terra pelo mundo. Vários países entendem a eletrificação dos transportes como o futuro do setor para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis. A pergunta que resta é o quão sustentável será a fonte de energia para os carros elétricos. Enquanto isso, o Brasil pode retomar sua liderança nos biocombustíveis, cumprindo sua NDC não só de descarbonização da matriz energética mas também em relação ao uso da terra.
Há que se considerar as peculiaridades brasileiras e mato-grossenses neste caso. A premissa de que a produção do etanol pode aumentar a pressão por novas áreas na agricultura é falsa. Mato Grosso produz hoje 30 milhões de toneladas de milho (cerca de um terço de toda a produção nacional) em segunda safra, ou seja, em áreas já cultivadas com a soja.
As dificuldades no armazenamento e logística geram imensos custos aos produtores já que grande parte do milho é exportada para fora do estado ou do país. Uma opção de agregação de valor como a produção de etanol (além de óleo e DDG) gera emprego e renda no estado.
Além disso, a produção do etanol de milho tem dois efeitos indiretos positivos para a estratégia. O primeiro é que o processamento do grão requer uma fonte de energia. A melhor opção é o uso de biomassa de eucalipto. A demanda pela biomassa permite a expansão de florestas plantadas, que permitem o uso de terras de baixa produtividade ou arenosas, gerando uma fonte alternativa de renda aos produtores e com compra garantida.
O segundo efeito é a geração do DDG (dry distillery grain), basicamente a proteína e fibra do grão de milho que sobra após a extração do óleo e do amido (que se transforma em etanol).
O DDG é uma matéria prima de alto valor para a produção animal, podendo impulsionar as cadeias de leite, suinocultura, piscicultura (com ganhos óbvios principalmente para pequenos produtores) além de ajudar na intensificação da pecuária de corte.
Em resumo podemos agregar valor à produção de grãos no estado, impulsionar cadeias como a silvicultura e a pecuária, contribuir para a geração de emprego e renda, sem geração de resíduos e contribuindo para descarbonizar a matriz energética brasileiras sem pressão por desmatamento. Produzir, Conservar, Incluir.
Acreditou-se um tempo que o Brasil seria o líder de uma revolução mundial no setor de biocombustíveis. Os desmandos federais conseguiram provocar uma crise sem precedentes não só no setor de etanol, como na Petrobrás e no setor elétrico. Durante esse período o Brasil passou a ser um importador de etanol de milho americano…
O Renovabio promete dar novo fôlego ao setor de biocombustíveis no país. É uma imensa oportunidade que surge para o país, para o Mato Grosso e todo o setor produtivo.

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