A China e nós II

Marcos Jank, professor, amigo e especialista em questões globais do Agronegócio escreveu neste sábado na Folha um artigo intitulado: Estamos condenados a nos casar com a China.
Jank cita algumas das profundas transformações que o agronegócio chinês atravessou nos últimos anos, entre elas:
1. A China trocou a diretriz da autossuficiência alimentar a qualquer custo por uma política de segurança alimentar estratégica orientada pelo mercado.
2. A internacionalização das empresas chinesas visa o controle das cadeias de suprimento genética, infraestrutura, armazenamento, processamento e comercialização. Exemplos são as aquisições de empresas como Syngenta, Noble, Nidera e Fiagril. (eu citaria também a presença da Cofco no Mato Grosso).
3. Segurança do alimento, qualidade e sustentabilidade: hoje a grande obsessão da China é com qualidade, sanidade e sustentabilidade ambiental da produção.
4. O país virou o 3º maior exportador de agro do mundo, à frente do Brasil. Os ganhos de produtividade total da agricultura chinesa são equivalentes aos obtidos pelo Brasil desde 1980 3% ao ano, o dobro da média mundial.
Além da revolução em seu agronegócio, é preciso lembrar a revolução que a China está fazendo na restauração florestal.
Entre os anos de 1999 e 2013 já foram recuperados 28 milhões de hectares – o equivalente à área do estado de Alagoas, segundo matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo (http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,engenharia-ecologica-chinesa,70002167298 ). Segundo o Instituto Escolhas (http://escolhas.org/brasil-precisa-aprender-a-com-china-recuperar-florestas/) o Brasil está muito distante de obter resultados próximos aos chineses: em termos de desmatamento, o país perde, aproximadamente, 500 mil hectares de floresta Amazônica por ano. Ou seja, em 14 anos, a China plantou o equivalente a 56 anos de desmatamento na Amazônia.
Em outra conta, no ritmo atual de restauração florestas o Brasil levaria 120 anos para cumprir sua NDC que é restaurar 12 milhões de hectares de florestas (metade do que a China recuperou em 14 anos).
Obviamente restauração requer investimentos. O mesmo Instituto Escolhas desenvolveu, em 2016, o estudo Quanto o Brasil precisa investir para recuperar 12 milhões de hectares de florestas?, que revelou a necessidade de um investimento de R$ 52 bilhões, capaz de produzir, inicialmente, um resultado com R$ 23 bilhões de retorno econômico, R$ 6,5 bilhões em arrecadação de impostos, além de gerar 215 mil empregos.
A PCI tem o objetivo de atrair investimentos também para a restauração florestal no Mato Grosso. É assunto para outro post.
O fato é que comentado anteriormente, os planos da China seja na agenda ambiental seja no agronegócio afetam diretamente o que acontece no Brasil e no Mato Grosso.
Como diz Marcos Jank estamos condenados a casar com a China, mas até agora a vantagem é dela, que sabe planejar e ter estratégia a longo prazo, o oposto do modus operandi brasileiro.
Somos “ansiosos, imediatistas, individualistas e meio esquizofrênicos. Não sei se isso é curável, mas ano eleitoral é sempre uma oportunidade para refletir sobre a nossa desorganização endêmica e mudar hábitos.”
cofco_agri_1700_frente

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